ARTE DE DANÇAR
Do Oriente para o Mundo
Mais do que uma dança ou uma manifestação artística a Dança do Ventre é um estilo de vida que vai muito além dos movimentos que a caracterizam. Conhecida no Mundo Árabe como “Raks el Sharki” (Dança Oriental ou Dança do Leste), essa arte tem sua origem pouco documentada e repleta de histórias e lendas.
A dança é provavelmente uma das mais antigas praticadas ainda hoje. Alguns relacionam o surgimento dessa arte a rituais religiosos do Antigo Egito, com início em até 12 mil anos atrás. As mulheres executavam os movimentos como forma de homenagear divindades como Ísis, Osíris e Hathor. Outros falam sobre a relação com cultos de fertilidade e celebração da espiritualidade e força femininas.
O surgimento também pode ter ocorrido nas regiões às margens dos rios Eufrates e Tigre, onde hoje estão países como a Turquia, Síria e Iraque. Existem documentos que mostram que povos do norte da África (como Marrocos) e até da Grécia praticavam um tipo de dança com características semelhantes às da Dança do Ventre.
Ao longo dos anos, os movimentos da dança foram sendo incorporados à cultura árabe de modo geral, ganhando espaço nos palácios e depois entre as classes sociais menos favorecidas. As características mais marcantes são a sensualidade, a leveza, a alegria, a vitalidade e a expressão.
Seja como for, a Dança do Ventre chegou a outros países por intermédio de povos nômades, como ciganos e beduínos, se popularizando principalmente a partir do século 19. Foi nessa época que a arte recebeu o nome de “Dance du Ventre”, quando aportou na França. O nome surgiu devido aos freqüentes movimentos com essa parte do corpo durante sua execução.
O termo original (Dança Oriental) não vingou no Ocidente porque também pode se referir a danças japonesas, chinesas ou de outros países da região. Nos Estados Unidos, a arte é conhecida por Belly Dance. Os gregos a chamam de Chiftitelli e os turcos dão o nome de Rakkase. No Brasil, o nome que ficou mais conhecido foi mesmo “Dança do Ventre”.
Déborah e o Poder Artístico da Dança
Dançar é uma arte e como tal é algo que remete à criação constante. Sabedora disso, Déborah Valério ressalta a importância de se preparar bem e estudar sempre para ter cada vez mais elementos a fim de criar o tempo todo. Ela fala de como a dança deve causar emoções e o quanto é preciso se entregar para que o trabalho flua e aconteça. O resultado dessa forma de conduta é o sucesso que ela faz. Com vocês, Déborah Valério, uma das dançarinas orientais brasileiras que mais fazem sucesso justamente nos países onde a Dança do Ventre surgiu.
A dança fala, conta, descreve, intriga, emociona, apaixona... e evolui... Por isso acredito numa dança oriental rica, com elementos modernos, com histórias novas, onde cada corpo dança aquilo que tem em si. Não acredito na cópia, não aprecio a “bailarina espelho”. Se a dança é uma arte, a criação é um dever de cada uma que expõe seu corpo a ela.
A técnica deve ser muito bem aprendida. Uma vez que o corpo tem as ferramentas ele constrói uma coreografia, um show, uma dança. Se a bailarina sente o que está fazendo, a dança flui e encanta aos olhos de quem assiste.
A Dança do Ventre pode ser mística, folclórica, antiga, egípcia, libanesa, forte, lenta, com adereços ou sem, descalça, de salto... Mas hoje a nossa história é moderna. Século 21! E a dança também recebe influências sociais. Não devemos ter medo nem preconceitos quando o assunto é dançar e criar. O meu incentivo é sempre de que você busque dançar de forma completa: técnica+corpo+alma... E se você quer ser profissional então leve isso ainda mais a sério e crie um estilo. Inspire-se em alguém, mas não copie. Se a bailarina que você está copiando é tão famosa, pense que ela conquistou admiração por ser única, por ter algo novo. E se você a copiar será apenas uma réplica e não uma original!!!
Subir ao palco e dançar o que você já sabe é ótimo. Se estiver tudo decoradinho, mais seguro ainda. Mas e se você errar, que cara vai fazer? E se o músico der uma erradinha? No palco, como solista, ou em qualquer ambiente que esteja, você, com seus músicos ou com o CD que te acompanha, não deve deixar a dança ser mecânica. Crie antes uma idéia coreográfica, onde você escolhe momentos altos da música e nela faz um movimento bem marcante, mas deixe também momentos para o improviso, para o seu sentimento dançar por você e com você. Eu adoro improvisar e acho que isso enriquece a técnica da bailarina e aumenta o valor artístico em seu show. Além do quê, não é só dançar. Você tem de saber entreter com seu carisma e sua dança quem te assiste. Senão, parece vídeo !
Quando danço, mil coisas passam pela minha cabeça, depende do dia, da emoção que sinto naquele dia, o que estou vivendo naquele momento... Então posso dançar rindo demais, posso sentir vontade de chorar, posso descontar raiva nas batidas dos quadris (e haja dor lombar depois...). E ainda por cima existem os imprevistos e os acidentes, que são histórias à parte, aqui não caberiam todos. Além de você ter de cuidar de você, ainda há os músicos, os CDs que podem fazer pular a música, o público que pode se empolgar e por aí vai... Existe uma imensidão de situações que podem ocorrer antes, durante e depois do show. Basta você ter jogo de cintura e confiança. Daí, nem um tombo te deixa sem graça!
Todos os dias espero que a hora do show seja perfeita, que o restaurante esteja lotado, que o palco não esteja liso, que os músicos não errem, que os clientes estejam dispostos a assistir (e não apenas a comer e a conversar), que minha roupa não abra e nem se mova demais... E então pode acontecer de tudo dar errado de uma só vez e virar então um “show-catástrofe” ou pode ser aquele dia em que saio do palco e agradeço a Deus por eu ter me superado!...
Mas nada como um dia após o outro e um show a cada dia para nos deixar cheia de memórias e preparadas para tudo o que vier! Super Bellydancers em ação!!!... E nada nos derruba porque vivemos de imprevistos... ...e de glórias também, é claro! Porque o palco é uma arena, um desafio, um trampolim. E dançar todos os dias já te desafia a estar sempre disposta e renovada. Uma vez que pisamos nele serão 40 minutos ou uma hora, ou até uma hora e muito, de pura adrenalina, sorriso, suor, improvisos, situações, furos e muita energia pra dar conta da tarefa.
Ser uma bellydancer profissional não quer dizer apenas ter um rosto bonito e um corpo harmonioso, pois além do talento e da técnica, você precisa ter experiência com o público para não ficar com cara de paisagem caso alguma coisa saia do eixo. A única coisa certa que existe quando a música começa e você está atrás da porta esperando para pôr o pé no palco é: “tenho de arrasar, fazer o meu melhor e cumprir meu papel de artista. Sou o foco agora!”. O resto você descobre depois...
Hoje a dança é minha vida, minha vida está na dança. Meu compromisso é informar, dividir e oferecer algo que possa acrescentar para todas as que admiram não só a minha pessoa como as que buscam uma carreira internacional e a arte da dança em geral. Não tenha medo de tentar e de errar. É nos erros e nas tentavivas que chegamos à perfeição.
Você deve estar pensando ou imaginando tudo o que rolou ou que acontece no cotidiano de uma bailarina profissional que vive tão longe, numa cultura tão diferente da nossa. Prometo que vou contar...
...em breve!...